Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Spaceman 3

A ideia de regressar a este disco é-me muito agradável. Tenho uma história muito engraçada em relação a playing with fire. Conheci o album por intermédio de um single, "revolution" que rodava via video clip num programa inglês, "Rock in the uk» que passava às sextas à tarde na RTP2. Tinha eu 15 anos, andava a estudar e vinha a correr da escola para ver os videos de House of Love, Charlatans, Spaceman 3 ou os Front 242. Além do "sete mares" programa de rádio de Sofia Alves, onde ouvia Massive Attack ou Go Betweens , pouco mais existia, isto considerando o insuperável "som da frente" daquela voz inconfundível do homem que nunca me conheceu, mas que mais companhia me fez durante a adolescência, o António Sérgio. Hoje em dia com a internet esta informação soa ridícula, mas estes pedaços, antes da massificação, eram de ouro. Cheguei a ter uma gravação em cassete do Palying with fire (é provável que ainda a tenha algures). Como a cassete era de 60 minutos, gravei um disco de cada lado e ficava-se sempre com os albuns incompletos. Não havia dinheiro para fitas cromadas, de modo que estas canções se ouviam com um ruído de fundo muito irritante (hoje não se sabe o que é isso com os modernos mp3). "Revolution" era para mim - e ainda é - uma canção que correspondia à intensidade do mundo, da vida. Bem, isto é vago, mas a canção afectou-me logo com um murro no estomago. Estas coisas tornavam-se mais especiais porque a maior parte dos miúdos não viam na canção senão mais do que mero ruído. O mais impressionate de "revolution" é que ainda hoje me arrepio todo quando a ouço. Esta canção representa para mim o grito derradeiro por um mundo melhor. Mais tarde soube que a canção gerou muita discordia na banda, uma vez que nos concertos, os fãs só se interessavam pela experiência sonora impressionante que é ouvir a canção. Voltando ao disco: mais tarde, com 18 anos, quando fui para Lisboa estudar filosofia, passei pela recém aberta Virgin Megastore nos Restauradores e escondi o disco. O disco andou lá escondido cerca de 2 anos. Sempre que passava ia lá vigiar se o disco ainda se encontrava atrás dos outros todos, muito escondido. Até que um dia lá tive os 3 contos para o comprar e fui lá comprá-lo. Ainda é o disco que tenho. Esta é uma história de devoção juvenil, de idolatria, mas de uma idolatria ideológica, como há muitas, felizmente. Seja como for, ainda com 16 ou 17 anos descobri a obra dos Suicide e rapidamente percebi que os Spaceman 3 lhes herdaram a musicalidade. Ainda assim os Spaceman 3 são das bandas mais inventivas dos anos 80 e o Playing with fire é dos discos que mais prazer ainda me dá ouvir de tão violentamente sereno e psicadélico que é. Estes tesouros fizeram de mim um adolescente muito mais feliz.

publicado por rolandoa às 23:38
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